“Saudade é a presença de lembranças, de crises de risos, cinema no domingo, das brigas terminadas com beijos e silêncios que dizem tudo.”
(Autor desconhecido)
O que eu posso escrever para tentar decifrar o que estou sentindo? São sentimentos mistos e totalmente contraditórios. No entanto, se for analisar com calma, verei que eles são na verdade, complementares! Amor e ódio... sempre juntos... variam de acordo com o nosso estado de espírito em determinadas situações. Essas duas palavras são “fáceis” de lidar. Mas tem uma que me maltrata... quase conseguindo tirar as minhas forças. SAUDADES. Uma palavra até bonita (do ponto de vista ortográfico – literário), mas que dilacera quem convive com a mesma, de maneira leve... suave... ou catastrófica! Sentir saudades é normal... natural... e aceitável quando ainda temos como amenizá-la. Mas... e quando não tem remédio? Quando nos pegamos sozinhos com ela? Qualquer atitude que tenham para tentar nos distrair é em vão! Com isso, só nos restam as músicas, os perfumes, os filmes e livros, e as lembranças... Todas elas sejam agradáveis ou não. E como elas são presentes, mais presentes até do que as inúmeras experiências atuais que vivenciamos. De repente, descobrimos que temos uma memória de elefante! Completando o meu raciocínio sobre CONTRADIÇÃO x COMPLEMENTO, FELICIDADE é a palavra que complementa a Saudade. Ficamos felizes pela idéia de que a pessoa tão querida está bem... quem sabe sentindo as nossas vibrações positivas e os pensamentos afetuosos, e isso serve como calmante para os nossos corações. O único pesar que fica, é o fato de não termos como aliviar esse nosso comportamento tão egoísta, que nos martiriza pela ausência da presença. Saudades passageiras são possivelmente “curáveis”. Já a que vem da alma... para essa, creio eu, não tem remédio. É assim meu querido que eu me sinto... SEMPRE COM UM PEDAÇO A MENOS...!
Um comentário:
Olha, que legal! Ana Paula e seu novo caminho de escritos... te parabenizo pela iniciativa e desejo que neste processo este espaço te sirva de escape para quando o mundo ao redor estiver meio enjuado.
Sobre esse texto... achei interessante... elementos aparentemente contraditórios que podem ser considerados em conjunto. Amor e ódio para schopenhauer são mais próximos do que qualquer outra coisa. Não sei se concordo com toda a sua percepção sobre a saudade... lembrei de Drumond que diz que a ausência assimilada deixa de ser dor para se tornar alivio, pois não pode mais ser roubada. É claro que tem a parte sofrida... mas enfim, fica algo bom que nos dá alguma dimensão para seguir no tempo que não pára... que nos tira, mas também nos dá tantas outras coisas.
É isso...
fica na paz.
E que venham outros textos.
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